Em primeiro lugar mil desculpas quanto a demora. Nossa estava com saudades! Mas ultimamente sobra ideia para pouco tempo. Estou lendo vários livros que dizem respeito à Sociedade do Espetáculo e crítica da mercadoria. Tais leituras estão me fazendo refletir sobre algumas questões relacionadas ao esporte nacional. ‘Pronto’, pode pensar, ‘lá vem ela... Este texto deveria estar em outro blog’. É e não é. Certamente ele se fará presente, com outra cara, no tal blog mas certamente acho que ele é muito pertinente aqui.
Fiz estas ligações quando, lendo Guy Debord e vendo matérias ligadas, especialmente, ao Santos (neste momento meu amigo leitor olha a tela com cara de quem diz: agora pirou de vez!). Calma! Vamos ver se consigo me explicar melhor...
Na verdade o Santos me deu a ideia, mas pode se aplicado a quase tudo. Vamos lá: primeira citação que me trouxe este comentário que aqui escrevo “o espetáculo é a principal produção da sociedade atual” (p. 17). Ah, e “o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens”(p.14).
Agora vamos comigo ao futebol. Na boa, se tem uma coisa que se faz com o futebol nos dias de hoje é espetacularizar. Quantos times nem são isso tudo mas para quem só vê as matérias dos jornais parecem? Não que eu seja radicalmente contra isso. Imagens e matérias emotivas e tudo mais são muito legais de ver. Ver o espetáculo que as torcidas dão idem. Mas tem uns exageros que nem sei. É o que me faz acreditar na velha história do ‘pão e circo’ sendo o futebol, no caso, o nosso circo (e bota circo nisso!). É bom lembrar que circo aqui não apenas aquele que nos diverte, mas o que nos diverte e nos tira a direção. E ai, mais uma vê, trago Guy Debord dizendo que “quando o mundo real se transforma em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico”.(p. 18) O futebol da mídia torna-se de fato uma relação pessoal que é feita através das imagens que são encaminhadas para nós sobre os jogadores (imagens, aliás, boas ou ruins).
Agora, por que pensei nisso quando vi o Santos? Porque o Santos é o time da vez. Os meninos dançadores jogam bem, admito. Mas confesso que por vezes me questiono se parte do que eles jogam não fica mais evidente tendo a mídia toda em cima. E um pouquinho pior, na minha opinião, mostrando o que eles têm ou deixam de ter (com 19, 20 anos) por causa do futebol. Não que eles devam deixar de comprar mas tornar tudo isso um espetáculo? Será? Citei o Santos mas reafirmo: cabe para qualquer time que se tornar a estrela deste palco ou para qualquer ator que se apresentar em monólogos nos palcos verdes dos campos de futebol.
P.S: Obviamente todas estas imagens e espetáculos possuem ainda uma coisinha bem legal (ou não dependendo de quem ler) elas criam as identidades necessárias para, de alguma maneira, estes torcedores se sentirem parte de uma nação. Tais identidades, diversas e heterogêneas que formam nações dentro de nações, tribos dentro de tribos, são próprias dos nossos tempos... ta bom, terminei.